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Quem somos:

Valinhos, SP, Brazil
Eu sou consultor de TI e a Walquíria, professora. O meu hobby é o tiro esportivo e o dela, a leitura. O nosso é o motociclismo.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Dia de Banho e Óleo

Conforme mencionei no post anterior, eu irei continuar contando aqui as histórias e aventuras com a moto.

Portanto aí vai...

A última troca de óleo da moto foi lá em Santiago e já passava da hora de uma nova substituição do lubrificante. O sábado não estava muito ensolarado mas também não chovia. Por volta das 10:30 saí de casa e antes de procurar um lugar para a troca passei no clube de tiro para rever os amigos. Batemos papo, mostrei fotos da viagem e por volta do meio-dia saí para finalmente achar um lugar para a manutenção. Procurei antes uma opção em Indaiatuba mas não consegui. Então fui para a Warrior em Campinas mas já tinha dúvidas se ia dar tempo. Lá foi tudo perfeito: Como o dia não estava aquela maravilha de sol, não tinha muita gente e então pedi para trocarem o óleo e depois lavar  e encerar. A moto ficou linda de novo. Enquanto esperava fiquei lá sentado numa mesa tomando uma coca e depois observando ( e aprendendo ) o lavador lavar a motoca. E assim terminou a sabadão dedicado a motoca.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Hora de pensar na próxima

Foram 9.824,8 Kms. percorridos em 23 dias de aventura. Uma média de 427 Kms. por dia. Curtimos cada metro percorrido. Vimos paisangens que jamais pensaríamos ver ao vivo e que jamais veríamos se não fosse montados numa moto. Conhecemos pessoas que se aproximavam, curiosas, perguntando de onde éramos e para onde iríamos. Muitos, a maioria, ficavam surpresos ao saber que éramos de tão longe e havíamos chegado abordo de uma moto. Aliás, numa de nossas conversas, eu disse a Walquiria que estava preocupado por não estarmos aproveitando a viagem para conhecer a fundo os lugares que parávamos como por exemplo os museus e monumentos de Santiago ou subir os morros e montanhas de Bariloche. Mas depois me dei conta que numa viagem de moto o principal atrativo é andar de moto. Depois o resto. A sensação de liberdade abordo de uma moto é fantastica. As paisagens além de serem vistas, podem ser sentidas. Sente-se o cheiro do lugar, da estrada, das plantas e também áqueles não muito bons, como das fábricas e poluição. Essa é a essencia de uma viagem de moto: ver e sentir por onde estamos passando. Mesmo nas horas difíceis, como na travessia do deserto a 42 graus ou com a moto em pane numa madrugada escura, pudemos desfrutar da aventura. Pois ao menos estávamos colecionando experiências únicas em nossas vidas até então e histórias para contar. Era grande também a ansiedade para atualizar o blog porque já tínhamos idéia de que as pessoas estavam sempre acessando em busca de novos capítulos da nossa aventura. Infelizmente nos últimos dias não foi possível mantê-lo atualizado. Revendo os posts ví também que existem inúmeros erros de portugues. Mas decidi não corrigí-los agora porque da forma que estão eles expressam o momento em que eu os escrevia. Tinha de ser rápido ora porque a conexão estava instável ou porque era paga e havia pouco tempo além do que, na maioria, foram escritas de madrugada na cama ou em lobby de hotéis. Eu escrevia dava uma revisada para ver o sentido e publicava. Esse blog também não será encerrado e embora o nome seja chile-de-moto vou continuar postando nossas aventuras abordo da nossa heroína e o nome continua, também,  porque certamente essa não será a última aventura até aquele maravilhoso país. É importante agradecer aos amigos que nos acolheram tão bem por onde passamos: Marcelo e Romina na Argentina e Miguel sua esposa Silvia e suas filhas Gabriela e Micaela além de Jocelyn e Cristina no Chile. Foram pessoas que nos fizeram sentir em casa apesar de estarmos tão distantes. Espero um dia ter a oportunidade de retribuir pelo menos uma pequena parte de tudo que fizeram por nós. Agradeço também a todos que nos acompanharam e os convido a continuar nos acompanhando aqui e quem sabe, também se tornarem motociclistas. Eu recomendo!

domingo, 22 de janeiro de 2012

Quinta-Feira 19 de Janeiro - Nosso último dia nessa aventura

No motel formos bruscamente despertados pelo som do rádio às 06:30 da manhã. Talvez quiseram com aquilo nos avisar que o nosso período estava vencido. Com ainda tínhamos muito sono, abaixei o volume e voltamos a dormir até por volta das 08:30. Na noite anterior havia me dado conta de que a tensão da corrente estava bem solta e resolvi regulá-la. Com as ferramentas em mão procedi a regulagem. Deve ter sido muito estranho aos possíveis ocupantes do motel assim como aos funcionários ouvir barulho de ferramentas sendo usadas por lá. Enquanto eu fazia isso a Walquiria se aprontava. Logo depois me aprontei e por volta das 10:30 horas deixamos o motel. Abastecemos e seguimos nosso caminho até Campinas. Por volta das 13:00 paramos para almoçar e matamos a nossa vontade do simples e trivial arroz com feijão. Seguimos pela estrada sem maiores problemas com paradas regulares a cada 100 kms. para esticar as pernas. Esse trecho já havíamos feito em Agosto passado e não tinha muitas novidades. Conseguimos escapar da chuva durante todo o dia e somente nos deparamos com ela em Indaiatuba, já quase em casa. Chegamos a 0:40 da sexta-feira conseguindo salvar o dia a mais que havíamos ficado no Chile apesar dos percalços da terça-feira.

Solução ridiculamente simples...e seguimos viagem

Após o quase trágico dia anterior, despertamos por volta de 08:30 hs. depois de havermos ido dormir por volta de 02:30. Com a cabeça descansada teríamos de decidir se buscaríamos uma solução para o problema de curto-cirquito ou se iriamos para Foz do Iguaçu sem indicações no painel, luz de freio e pisca. Ao levantar consultei a internet em busca de serviço autorizado Suzuki em Resistencia. E lá exitiam 4 endereços obtidos do site do próprio fabricante da moto. Resolvemos também conseguir uma lavanderia rápida porque eu já estava sem roupa de baixo para vestir. Achamos uma lavanderia próxima ao hotel e combinamos com a atendente que iríamos buscar as roupas deixadas até o meio-dia. Então passamos a buscar o primeiro endereço daquela lista obtida no site. No primeiro deles se tratava de uma concessionária de motos porém de outra marca. No segundo a mesma coisa. Mas como nessa havia uma oficina, resolvi entrar e perguntar se davam suporte à marca da nossa moto. O chefe de atendimento da oficina nos disse que não davam suporte. Mas entrou no escritório e tentando nos ajudar trouxe uma lista, retirada do mesmo site que eu tinha retirado a nossa, nos indicando aonde poderíamos encontrar a solução. Ele ficou muito surpreso quando eu mostrei  a ele que um dos endereços era o próprio de onde estávamos. Ele ficou sem entender nada mas novamente se dirigiu ao escritório e lá ficou por uns 10 minutos. Regressou agora com uma lista de 3 possibilidades de serviço autorizado porém na cidade de Corrientes a 20 Kms. dali. Corrientes também era nosso caminho de regresso. Ele então ligou para um daqueles telefones e falando com o interlocutor disse que tínhamos um problema elétrico e que precisávamos de serviço. O interlocutor lhe disse que chamaria em seguida pois deveria encontrar um eletricista. Nesse momento eu já não acreditava em solução por alí e já tinha decidido que iríamos para o Brasil com o problema e em Foz buscaríamos a solução. E já lamentava haver deixado a roupa para lavar pois aquilo, naquele momento, era o que nos segurava em Resistencia. Mas vendo toda a dedicação do Jorge, atendente da concessionária, em nos ajudar resolvi esperar pelo telefonema do serviço de Corrientes. Até porque, com a questão da roupa, precisava matar o tempo com alguma coisa. Passados 20 minutos o Jorge veio até nós e nos disse que o serviço autorizado nos atenderia na cidade de Corrientes e nos deu o endereço aonde deveríamos nos apresentar lá. Passamos numa motopeças e compramos alguns fuziveis para repor os gastos na noite anterior e fomos ao Hotel para fazer o check-out. O tempo foi o suficiente para que as roupas também já estivessem prontas. Assim as pegamos na lavanderia e seguimos para Corrientes. O Interessante desse trecho é que cruzamos o Rio de La Plata por uma ponto bastante longa e a vista do rio impressiona bastante. No endereço informado como sendo o do eletricista que nos atenderia, não havia nada. Decidimos então ir embora mas no caminho de saída era também o endereço do serviço Suzuki autorizado que nos haviam informado em Resistencia. Eu disse que dependendo do aspecto da oficina eu pararia, caso contrário, estrada. E por sorte nesse endereço havia um grande anuncio da marca e também algumas motos novas à venda. Resolvi entrar e comecei a conversar com o dono do negócio. Ele já estava sabendo do nosso problema e fez contato por telefone com o tal eletricista para que viesse ao local onde estávamos. Enquanto esperávamos, batemos um longo papo sobre economia no Brasil e Argentina, as dificuldades que estão tendo com importações e por fim ele explicou a situação da Suzuki no país: Existe um plano há bastante tempo traçado para que a marca se estabeleça no país inclusive para montar motos lá. O problema é que estão tendo muita dificuldade com importações e por isso é que muitos endereços informados no site buscaram outras marcas para representar enquanto a situação da Suzuki se mantém da forma que está. Logo fui também informado que para motos de alta cilindrada como a nossa não havía serviço disponível. Não demorou muito,  chegou o eletricista: Era um senhor muito baixo, de bermudas, chinelo de dedo e um pouco sujo. Era um tipo que em situação normal eu não deixaria mexer na moto pois sabendo de toda a eletrônica existente poderia comprometer a integridade daquele sistema e talvez complicar ainda mais a nossa situação. Mas ele me deu uma lição: Não demorou mais do que 2 minutos, sim exatos 2 minutos para identificar e isolar o problema fazendo a moto voltar a funcionar em condições 99% normais para regressar até Campinas. Ele primeiro testou as conexões elétricas traseiras e viu que ao desconectá-las o fuzivel continuava a queimar. Logo o curto não estava na traseira. Desconectou o interruptor do pedal de freio traseiro e...o problema sumiu. E tudo se resumia a um curto existente naquele interruptor - bastava desconetá-lo e todo o problema desaparecia. A única coisa que ficamos sem era a luz de freio quando acionado o pedal. Como em 99,9 % das vezes que usamos o pedal de freio usamos junto o manete na mão direita, a luz acenderia sem problemas. Agora é só substituir o interruptor em Campinas. Me sentia um idiota por tres motivos: ter sido enganado no Chile onde não foram capazes de fazer algo tão simples, ter sido preconceituoso quanto ao sr. que nos atendeu e resolveu o problema e não ter sido capaz eu mesmo de solucionar um problema tão simples. Moto pronta, abastecemos e seguimos. O destino agora era Foz do Iguaçú a 630 Kms de distância. E já eram 14:00 horas. Mais uma vez no caminho nos deparamos com falta de combustível em um posto. Mas felizmente 2 kms a frente havia outro e com combustível. Abastecemos e seguimos. Paramos na bonita cidade de Posadas, provincia de Misiones para jantar. A Walquiria, por causa da fome, estava bem mal humorada quando chegamos. Mas tinha razão porque a única coisa que havíamos comido naquela quarta-feira foram as medias-lunas do café da manhã e já eram mais de 17:00 quando alcançamos Posadas. Jantamos pizza e logo seguimos para Foz do Iguaçu. Já era quase noite quando saímos com 300 kms. para serem cumpridos até à cidade das cataratas. Mas seguimos sem problemas pois a estrada era muito boa e a temperatura estava bem agradável. Chegamos a Foz por volta de 01:00 da manhã. Mas não estávamos cansados e então decidimos dormir num motel em Cascavel 150 Kms a frente de Foz. Após um breve descanso num posto seguimos viagem. Chegamos em Cascavel por volta de 02:30 e demorou um pouco até acharmos um motel. Mas achamos um bom. O preço estava em promoção para pernoite e o quarto escolhido tinha até sauna - que usei. Mas o cansaço meu e da Walquiria não permitiu que fossemos além de um banho. Caímos na cama e....dormimos como pedra. Para o dia seguinte, tínhamos 860 Kms. até Campinas. Nesse dia não tiramos muitas fotos motivo pelo qual não existem nesse post. 

sábado, 21 de janeiro de 2012

17 de Janeiro - Terça-Feira - Um dia para ser lembrado...e esquecido


Piamonte - Forasteiros são Bem-Vindos - Depois de Identificados 
Aquela terça-feira havia começado bem cedo. Como havíamos feito um acordo em que tentaríamos recuperar na estrada o dia em que ficamos a mais no Chile, combinamos que o primeiro que despertasse iria acordar o outro e logo partiríamos para o nosso destino que agora era incerto pois o plano era a cidade de Margarita distante 723 Kms. de Córdoba. Margarita não tinha nada de especial e só foi definido nos planos da viagem como ponto de parada para descanso. Logo poderia ser antes ou depois. Mas agora o plano era seguir em frente até onde desse. As 5:30 eu estava de pé e as 06:20 hs já estávamos com a conta do hotel paga, moto equipada e prontos para rodar. No caminho, ainda na cidade de Córdoba, paramos em um posto para abastecimento, limpeza de viseiras, lubrificação de corrente e água. Exatamente às 07:00 hs. estávamos na estrada. Programei o GPS para nos guiar até Santa Fé que ficava no caminho para Margarita. Não demorou muito, uns 80 Kms. depois tive que fazer a primeira parada porque o GPS parecia meio perdido pois a rodovia apontada a seguir aparecia à direita de onde estávamos. Num posto aproveitamos para tomar café e consultar o mapa. Estávamos no caminho certo e portanto seguimos. A rodovia passava por muitos povoados pequenos e a cada um deles, logo na entrada, havia um posto de combustível. Vendo a fartura de combustível na rota, não me preocupei muito em seguir adiante e resolvi que quando o tanque estivesse pela metade, eu abasteceria no próximo povoado.
Esse foi o primeiro erro do dia. Os povoados acabaram e os quais passamos depois do último eram tão pequenos que não havia um posto sequer. Comecei a fazer cálculos para ver quanto era nossa autonomia. O tanque estava a 1/4 e portanto tinha ainda por volta de 82,5 Kms. E nenhum posto a vista. Logo o alerta de falta de combistível começou a piscar. Isso indicava por volta de 4,5 litros - 67 Kms. portanto. E Nada. Logo o segundo alarme começou a piscar - 3 Litros. 45 Kms e iríamos parar. Nesse ponto eu já não passava de 80 Kms. por hora para fazer render ao máximo o que tínhamos. Logo apareceu uma placa que dentre 3 localidades com as distâncias anunciadas a mais próxima era Piamonte a 13 Kms. de onde estávamos. Esses 13 Kms. teríam de ser cumpridos saindo do nosso roteiro. Tomamos a decisão de entrar ali pois não tínhamos idéia se haveria combustível a frente mas também era um risco porque não sabíamos se haveria combustível na tal de Piamonte. E se não houvesse, estaríamos presos lá porque não dava para retornar ao caminho original e continuar buscando o precioso líquido que nos manteria na estrada. Chegamos à pequena Piamonte. É uma comuna do Departamento de San Martin ( isso eu vi consultando a internet depois do que nos passou lá ). Já quando entramos na pequena vila víamos que as pessoas reparavam em nós com grande curiosidade - mais que nada pela moto e talvez pelo modo como estávamos vestidos. Logo que pude, parei um senhor e lhe perguntei onde poderia comprar nafta. Ele gentilmente me explicou e daí me tranquilizei porque sabia que pelo menos por alí tinha um posto. Nos perdemos um pouco e logo depois perguntei a um garoto novamente pelo posto e o mesmo nos explicou. Dessa vez chegamos lá. Mas um pouco antes de falar com o tal garoto, passamos em frente a um banco onde havia um carro policial parado. Apontei o banco para a Walquiria lhe dizendo que depois passaria por ali para sacar pesos para continuar a viagem e cumprimentei o guarda que estava dentro do carro. Mas o mesmo não me cumprimentou de volta. Já no posto conversei com o frentista quando ele me perguntou de onde vínhamos. Ao final, confirmei com ele a localização do banco. Tanque cheio, fomos ao banco. Lá chegando, estacionei a moto logo em frente e fui ao caixa eletronico. Dinheiro sacado e com tanque cheio eu já estava com o capacete na cabeça e vestindo as luvas quando encostou ao nosso lado uma caminhonete da polícia.
Acompanhando a polícia até a delegacia.
Um oficial saltou dela, veio em nossa direção e me perguntou se éramos turistas. Eu disse que sim, que éramos brasileiros e estávamos lá porque quase havíamos ficado sem combustível. Ele nos pediu nossas identificações. Tirei o capacete e as luvas. Abri o bau traseiro, tirei nossos passaportes e entreguei-os a ele. Ele os viu e se comunicou com seu superior dizendo que éramos turistas brasileiros. Deu para ouvir no rádio a surpresa do tal superior. Isso nos fez acreditar que já sabiam da nossa presença na cidade pois o oficial veio com a intenção clara de nos verificar - havíamos causado estranheza nos víveres da comuna. O superior disse ao oficial que nos abordava algo pelo rádio que não consegui entender mas ele nos disse que tínhamos que acompanhá-lo até a comissaría ( delegacia ) para sermos identificados e depois poderíamos seguir viagem. Assim acompanhamos ele, nós na moto e ele na caminhonete, no curto trajeto até a tal delegacia. Neste curto trajeto ficamos um pouco preocupados sobre o que poderia acontecer. Haveria alguma acusação falsa a nós? Iriam solicitar alguma propina? Enfim - nos sentimos no meio daqueles filmes em que vemos estranhos sendo abordados pelo sherife da cidade que tenta assustá-los para logo deixarem o local ou ainda pior, aqueles que acusam suas vítimas de algo para trancafía-las esperando por alguma vantagem...Na comissaria  entramos numa pequena sala onde existe um pequeno balcão de atendimento.
O oficial se posicionou atrás desse balcão e pediu novamente nossos documentos e também o documento da moto.
Nesse momento entrou um senhor de camiseta e boné que até agora não entendemos o que estava fazendo lá. Não disse uma única palavra mas assistiu a todo o processo pelo qual passamos. O oficial perguntou a Walquiria e depois a mim o nosso nome, profissão, endereço, idade ( confrontando com o passaporte ). Anotou a placa da moto e também aonde iríamos - que no caso eu disse Santa Fé - cidade grande mais próxima dali. Anotado os dados ele foi dizer algo ao superior que estava numa sala separada e que não pudemos ver. De lá saiu e nos disse que estávamos livres para ir e nos desejou boa viagem. Aliviados, saimos. E dali saimos rapidamente em direção à rodovia. Durante toda a viagem passamos por inúmeros postos de controle policial e em nenhum momento fomos parados por qualquer razão. No local mais improvável do mundo fomos abordados, diria eu, de uma forma bastante incisiva. Para um abastecimento, havíamos perdido bastante tempo em Piamonte. Seguimos e agora de volta ao caminho original encontramos combustível uns 30 Kms. depois da pequena Piamonte. Se havíamos chegado ali sem abastecimento a moto talvez não tivesse um litro no tanque. Continuamos o caminho em direção a Santa Fé e de novo um calor terrível e não achávamos agora um lugar para parar e tomar água. Então decidi entrar em Santa Fé. Na cidade eu havia visto um cartaz do McDonald´s. Ali seria o lugar do almoço. Abasteci a moto, por segurança e rumamos para a lanchonete. Lá comemos bem e tomamos muito líquido. Uma hora depois estávamos saindo e em direção a Margarita. Porém o segundo problema do dia aconteceria alí mesmo em Santa Fé: Paramos num balão e a forma em que eu parei a moto fez com que todo o peso dela, carga e passageira fosse depositado na minha perna esquerda. E daí faltou perna...comecei a tentar segurar a moto de forma que ela não tombasse e numa fração de segundos percebi que se tentasse continuar segurando-a iria ferir a perna gravemente ou quebar algo no guidão pois tentava segurá-la também usando as mãos. Foi uma fração de segundo mas a Walquíria, também já esperta, percebeu a situação e se posicionou de forma que quando eu larguei a moto para que ela fosse ao chão ela ficasse de pé. E assim aconteceu. Eu fui com a moto para o chão e a Walquíria ficou de pé. Não houve nada com a moto, comigo e com a Walquíria.
Por-do-sol refletido no espelho - bonita imagem
Apenas o orgulho ferido de haver caído - e na maioria das vezes é o que doi mais num motociclista. Erguer a moto do chão não foi difícil. Logo estávamos montados e em direção a estrada. Mas o calor estava muito forte naquele dia. Não conseguíamos fazer com que a viagem fosse produtiva pois a estrada, a todo momento, entrava em trânsito urbano e a velocidade tinha de ser diminuida. Além disso o calor nos castigava e tínhamos que parar para tomar água a cada 80 kms. Margarita começou a ficar muito longe. Na primeira parada depois de Santa Fé  eu tinha sono e como no posto havia um sofá, decidi dar uma cochilada. E seguimos. Com muito custo, por volta de 19:00 hs chegamos em Margarita. Mas eu ainda tinha gas para continuar e também alí resolvemos mudar a estratégia: procuraríamos um hotel para dormir por umas 4 horas e continuaríamos o caminho. E assim faríamos até chegar a Campinas. Um ponto importante é que a noite a viagem ficava mais produtiva pois a temperatura era agradável e não havia tanto trânsito. Além disso eu sentia muito menos sono naquele horário. Encontramos um hotel em Margarita mas era muito caro por algumas horas de sono e a sra. proprietária não quis nem saber de negociar. Nos disse ainda que havia muitos hoteis alguns kms. a frente. Resolvemos então seguir e agora até a cidade de Resistência, 300 kms. de Margarita. Assim naquela terça feira iríamos cumprir mais de 1.000 Kms. rodados. Mas os acontecimentos do dia ainda não haviam terminado e o pior dos espisódios estava por ocorrer e durante a noite escura em estrada praticamente deserta. Uma imagem linda do por do sol começou a ser refletida no espelho retrovisor. A imagem era tão bonita que resolvemos parar e tirar fotos daquela luz de fim de dia. Já escuro, próxima da cidade de Saenz Peña, um problema: Ao freiar para passar numa lombada a moto apagou completamente. Não havia sinal de sistema elétrico - tudo se apagara repentinamente inclusive o motor. Estacionei no acostamento e naquele ponto havia muita gente pois estávamos próximo a algum evento da cidade que estava terminando. Não demorou muito e estávamos cercado de curiosos. Preocupado com a aglomeração em volta e tentando raciocinar o que haveria de errado, busquei a caixa de fuziveis para ver se algum estava queimado. Nenhum. Mas eu sabia, por ter lido o manual, que havia um fuzivel mestre do sistema. Busquei o manual no baú traseiro para saber a localização do tal fuzível. Nisso percebi que a nossa volta só permaneceram 3 garotos que tantavam um diálogo com a Walquiria.
Luis, Hernan e Ezequiel - os tres garotos que batemos papo
Ela respondia às perguntas deles pois entendia o que falavam mas eles não entendiam bem o que ela dizia. Então, às vezes, eu atuava como tradutor mas sem tirar minha atenção do problema e também do baú traseiro que estava aberto e tinha bastante objetos a vista como computador, tablet, camera, etc. Pensando que aqui no Brasil, dependendo do local onde houvéssemos parado, a chance de sermos saqueados era grande, fiquei preocupado. Mas tinha que tentar nos tirar dali. E o manual indicou onde estava o fuzivel meste e sim, era ele mesmo que havia queimado. Procurei um para substituí-lo e feito isso, todo o sistema havia sido restabelecido. Ao final já tínhamos batido papo com os garotos sobre diversos assuntos como o que gostavam mais na escola, futebol ( foram políticos quando lhes perguntei quem era melhor: Brasil ou Argentina - os dois disseram ). Ao final tínhamos algumas bolachas compradas no caminho e oferecemos a eles que aceitaram e também tirei uma foto deles com a Walquíria. Incrivel como um problema daqueles nos ofereu uma oportunidade única daquelas de conversar com 3 garotos da mesma idade dos que a Walquiria tem como alunos. Foi um dos momentos agradaveis da viagem e me chamou atenção de como muitas vezes nos fechamos para esse tipo de experiência por causa da nossa cautela com a violência em que vivemos em nosso país. Moto em ordem, seguimos viagem. Mas durante o caminho eu estava preocupado com a queima do fuzível mestre porque esse tipo de evento é um sintoma e não o problema em sí. Queima de fuzível é como dor: indica que há um problema e não é o problema em si. Andamos mais uns 30 ou 40 Kms. quando todas as lampadas indicativas do painel começaram a piscar. Os ponteiros de velocidade e conta giros voltavam ininterruptamente para o zero e para o ponto máximo. A luz espia central que de acordo com o manual indica algo grave nos sistemas eletronicos ficou totalmente acesa. E o motor começou a falhar - mas não parar por completo. De novo tínhamos problemas. E agora estávamos numa escuridão total. Mas logo tudo voltava ao normal e assim ficava por alguns minutos. Os episódios aconteciam e rapidamente tudo voltava ao normal. Logo aconteceu também de tudo se apagar completamente inclusive os farois e o motor deixando-nos numa escuridão total e rodando em alta velocidade. Mas rapidamente tudo voltava ao normal. Exceto quando tudo se apagava, eu conseguia manter a moto andando desde que não abaixasse as rotações do motor. Então apesar de todos os indicadores ficarem loucos de tempos em tempos, eu me concentrei em pilotar a moto e não deixá-la baixar a rotação pois se isso acontecesse o sistema se apagaria por completo. A Walquiria atrás tentava me ajudar olhando o trânsito e rezando. A situação se complicava quando havía veículos a serem ultrapassados pois tínhamos que esperar o ponto certo e as vezes os pontos demoravam a aparecer ou pela trecho da rodovia que não oferecia visada do trânsito vindo da direção contrária ou porque tinha trânsito na direção contrária. O desafio era manter o motor em alta rotação mesmo freando. Numa das tentativas de ultrapassagem a moto chegou a apagar por completo, inclusive os farois. Mas rapidamente se restabeleceu. Minha preocupação era levá-la para um lugar iluminado. Só isso. Pois eu já sabia qual era a solução paliativa do problema - trocar o fuzível novamente. Víamos um clarão no horizonte que indicava que estávamos chegando à cidade de Resistência. Mas foram os mais longos kilometros percorridos na minha vida. Logo no primeiro trevo iluminado na cidade a moto se apagou. Mas daí pudemos substituir o fuzível. Mas durante o percurso eu notei que havia um fuzivel de 30 amperes no lugar de um de 15 e era exatamente o fuzivel que estava queimando quando mandei a moto numa oficina no Chile para reparar o problema - que me disseram que era um curto na lanterna traseira. Mas o que fizeram não foi reparar o problema pois sequer o identificaram. Apenas colocaram um fuzivel de 30 amperes no lugar de um de 15 fazendo com que o problema não se apresentasse mais porém forçando todo o sistema da moto até a queima do fuzivel mestre. Quando removi o fuzivel errado tudo voltou ao normal - exceto é claro o problema que havia quando chegamos a Santiago que passou a acontecer de novo pois o curto ainda existia mas agora não havia um super fuzível para ¨encobri-lo¨. Isso de certa forma nos deu tranquilidade pois eu sabia o que estava acontecendo devendo apenas a me preocupar em solucionar o problema que não havia sido resolvido em Santiago. Mas o pior que poderia nos acontecer agora era ter de voltar ao Brasil sem indicações no painel, pisca-pisca e luz de freio. Dava para fazer. Resolvemos então passar o resto da noite ( Já eram 01:30 da manhã ) em Resistência e na manhã seguinte seguirmos para o Brasil com o problema pois eu já não acreditava que alguém poderia me ajudar por aquelas paragens. Encontramos um hotel no centro - outro daqueles - e no dia seguinte resolveríamos o que fazer. A solução veio da forma mais inesperada...e a solução foi ridiculamente simples. Chega a ser criminoso o que nos fizeram em Santiago.

Córdoba 700 e poucos Kms.

Córdoba - foto tirada no dia seguinte à nossa chegada
O destino na segunda feira era a cidade de Córdoba na provincia do mesmo nome. Saímos do Shareton de Mendoza por volta das 11:00 da manhã. Já tarde para quem tinha mais de 700 kilometros a cumprir. Na noite anterior, quando chegamos de Santiago passando pela cordilheira estava chovendo. Eu estava torcendo para que a tal chuva continuasse pois assim o calor nos daria trégua. Mas não foi assim e embora havia amanhecido nublado, logo o sol deu as caras e nos acompanhou por todo o dia. E durante todo o dia foi um calor terrível. Foi uma viagem mais longa que o previsto e acredito eu que por culpa do GPS pois confiei só no aparelho sem consultar mapas e acredito que ele nos levou por caminho mais longos. Chegamos tarde à Cordoba - por volta das 22:00 - e fomos procurar hotel pois não tínhamos nada reservado. O primeiro que tentamos não havia vagas e no segundo, muito caro pelo que oferecia. Então fomos ao Boulevard hotel. Mais um daqueles hoteis ruins com quartos muito pequenos e banheiro duvidoso. Mas tinha ar condicionado o que foi um diferencial naquele calor horrível que estava naquela cidade. A Walquiria agora tinha muita tosse - tosse essa que a acompanharia pelo resto da viagem. Como estávamos muito cansados da jornada, logo dormimos como pedra. Mas antes fizemos um acordo: A partir dali iríamos tentar recuperar o dia que havíamos ficado a mais no Chile. Portanto o dia seguiente começaria bem cedo e rodaríamos tanto quanto fosse possível. O objetivo era chegar na quinta-feira a noite em Campinas e não na sexta no mesmo horário. Mas muita coisa estava reservada para aquele dia seguiente. Muita coisa mesmo.

As melhores paisagens da viagem - De Santiago a Mendoza


Inicio de subida das cordilheiras
Não nos preocupamos em acordar cedo naquele domingo porque estávamos num hotel muito confortável e o caminho até Mendoza na Argentina era algo em torno de 460 Kms. - pouco portanto. Levantamos por volta das 09:30 tomamos café e por azar meu a Walquiria viu pela janela do nosso quarto uma feira em uma praça ao lado do Hotel. Fã de feiras de rua logo disse que precisaríamos dar uma olhada. Antes disso quis subir no terraço do hotel para ver a piscina e também tirar algumas fotos da vista. A feira era apenas de antiguidades e acho que quem ficou mais contente fui eu porque gosto desse tipo de objeto. Mas como ( ainda bem ) não tinhamos espaço para nada na moto, nos contentamos em apenas admirar. Por volta de 13:30 deixamos o hotel e fomos em direção a Mendoza. Na estrada, de novo, paisagens deserticas. Após uns 120 Kms. houve preocupação com combustível porque não havia abastecido em Santiago e demorou certo tempo para encontrarmos um posto. Não demorou muito e começamos a subir as cordilheiras. A paisagem agora era muitíssimo diferente da paisagem vista quanto entramos no Chile vindo de Bariloche. Já não havía cinzas e o dia estava muito bonito e claro.
Los Caracoles - Já havíamos subido grande parte
Conforme subíamos o calor também deu uma trégua. Daquele lado pudemos sentir um pouco a altitude. Eu tive um episódio, por alguns segundos, de falta de ar. A Walquiria também sentiu um pouco mais pelo estado de gripe. Pude sentir também, conforme a altitude se elevava, que a própria moto perdeu um pouco da potência. Mas agora víamos as imensas montanhas que compoem a cordilheira e no topo de muitas delas, neve. É impressionante o tamanho das montanhas e ainda que subíamos cada vez mais, ainda assim, pareciam muito grandes e altas. Nos impressionou também os Caracóis que são uma cadeia de curvas nessas montanhas e dependendo de aonde estávamos podíamos ver todas as curvas abaixo pelas quais havíamos passado. Uma vista incrível. Paramos algumas vezes para tirar fotos. Uma vez atingido o cume da estrada, começamos a descer. Daí a paisagem muda novamente e as montanhas, muito grandes, começam a apresentar variadas cores. Um colorido lindo. Algumas de cor cinza, outras esverdeadas, marrons, laranja e inclusive algumas ¨listadas¨ pois podem ser notadas vários tipos de camadas de rochas que as formam e suas diferentes cores. Um visual simplesmente incrível. Já havíamos achado incrivel a travessia desde Bariloche mas depois dessas paisagens nos demos conta de que não havíamos visto nada de cordilheira. Logo chegamos ao posto fronteiriço na Argentina onde deveríamos fazer o processo de imigração e aduana. E daí houve confusão. Quando estávamos chegando nos demos com uma fila imensa de carros, 99% de Argentinos voltando para casa, para fazer os tramites necessários para entrar no país. Uma guarda da Gendarmeria Nacional começou então a organizar uma fila paralela de carros pois a continuar a quantidade de autos chegando, logo a tal fila iria começar na pista.
Confusão no posto fronteiriço
Até aí, sem problemas. Ela nos indicou a fila onde deveríamos entrar e lá aguardar para entrarmos na fila que nos levaria até aos guiches. Pouco mais de 30 minutos depois de estarmos parados nessa fila eu e mais alguns motoristas começamos a notar que os veículos recém chegados da pista já entravam diretamente na fila que levava aos referidos guiches para que os tramites fossem feitos. Portanto carros que chegavam bem depois de nós, e já éramos mais de cem veículos estacionados e esperando, estavam entrando diretamente na fila sem passar pela espera a que estávamos submetidos. Assim começou um certo protesto dirigidos aos guardas e nos demos conta de que a que formou a nossa fila simplesmente  havia se retirado sem que comunicasse a nenhum de seus colegas que tipo de organização tinha feito. Muitos já P de vida se juntaram ao redor de um dos guardas e começaram a pressioná-lo por uma solução. Como eu já estava cansado da espera resolvi tirar a moto do lugar onde estava e posicioná-la na fila dos guiches que ainda continuava sendo ocupada por carros que chegavam da estrava.
Belas montanhas por todo o percurso
Nesse momento alguns motoristas começaram a me seguir e os que se sentiram prejudicados a buzinar. O guarda, também já bastante pressionado porém sem tomar nenhuma atitude para consertar a m... feita pela colega me mandou voltar de onde havia saído. Mais confusão, mais buzinas, mais protestos. Voltei porém não sem antes de dizer-lhe um pouco alterado e em alta voz que ele como autoridade deveria se dignar a organizar a bagunça. Depois lembrei que estava longe de casa e sendo visita, deveria manterme caladinho. Não demorou muito e bloquearam a entrada dos veículos que vinham da estrada enviando-os para o final da fila em que estávamos e começaram então a fazer com que os carros do nosso bloco fossem para a fila dos tramites que mesmo assim demorou mais uns 40 minutos. Ficamos parados por volta de 2 horas e 20 minutos. O processo em si é bem organizado pois chega-se aos guiches com o próprio veículo. No mesmo guiche há um funcionário do Chile que faz o processo de saída do país e entrega os passaportes ao compnheiro Argentino ao lado que procede a entrada no país de sua nacionalidade. O mesmo acontece com os documentos do veículo. Depois, na mesma área, se conduz o veículo até a aduana Argentina e sendo necessário, pedem para que o veiculo seja aberto para uma verificação mais detalhada.
Cores inacreditáveis
No nosso caso passamos direto. Feito isso seguimos viagem para Mendoza que ainda estava uns 200 kms. distantes. Nisso já eram quase 6 da tarde. Mais passagens e montanhas lindas. Pudemos admirar também um show de efeitos de luz do sol sendo refletidos nas montanhas coloridas pois em alguns pontos haviam nuvens e o sol que entrava através delas luminava-as de forma especial aqueles pontos por que passávamos. Assim montanhas que víamos de uma cor em um trecho da estrada se via com uma cor diferente em outro trecho. Mas logo, perigo a vista: Algumas nuvens que a princípio pareciam distantes agora se tornaram uma chuva bastante forte. A água que caía se alternava de acordo com o trecho da pista em que estávamos.  
Agora sim: Neve
Nos trechos em que já havia chovido forte pedras das montanhas, algumas grandes tais como paralelepípedos de ruas, começaram a rolar e parar no meio da pista. É importante dizer que aquelas montanhas são formadas de pedras e muitas delas estão soltas. Portanto a água da chuva que desce dos morros traz também as pedras mais leves e quando a pista está muito próxima, aí ficam depositadas. Assim ficamos bastante atentos e tensos porque algumas das pedras que vimos no meio da pista se atingisse a moto poderia causar um acidente bastante sério. Logo depois passamos também por uma área que estava alagada - como o carro da frente passou e pude ver que a profundidade era o suficiente para não cobrir as rodas da moto, passamos.
Chuva a vista
Essa chuva mos acompanharia até Mendoza porém em baixa intensidade. Mas  o suficiente para deixar o trânsito lento. Transito esse que nos estressou bastante - parecia o tipo de trânsito que vemos na volta das prais em feriados prolongados. Uma fila interminável de veículo em baixa velocidade e sem muitos pontos de ultrapassagem. Chegamos em Mendoza bastante tarde - por volta de 22:00 horas.
O Miguel Espinoza tem um sobrinho que trabalha no depto. de marketing do Sheraton Hotel e nos conseguiu um ótimo preço naquele hotel em Mendoza. Foi o nosso último bom hotel. Dali pra frente, só pedreira. Para o dia seguinte o destino era Córdoba - 730 Kms. distante. Mas embora no final houve bastante tensão pelo trânsito e a chuva, foi o dia que vimos as mais belas paisagens da viagem e também, depois de passado, demos boas risadas sobre a confusão na fronteira.  

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Viña, Valparaiso e Gripe


Almoço na Viña Del Bosque - Exclente comida
Como havíamos combinado com o Miguel, dedicaríamos o sábado a visitar uma viña e lá almoçar para de lá seguirmos para a cidade de Valparaíso. As 11:00 hs o Miguel passou no hotel e deixamos no porta malas de seu carro nossas pesadas roupas de motociclistas. Seguimos de moto atrás dele para a Viña Casa Del Bosque. Junto com ele foram sua esposa Silvia além da sua mãe e as duas pequenas. A Viña Casa Del Bosque fica aproximadamente uns 60 Kms. distante de Santiago. Lá fizemos um tour com um guia nos explicando o processo de produção de vinhos de alta qualidade como os que lá produzem. Tivemos a oportunidade, no final, de provar uma taça. Lá mesmo existe um restaurante muito bom onde almoçamos. Depois um pequeno descanso nas espreguiçadeiras e logo seguimos para Valparaíso. Como havíamos nos divertido bastante na viña, resolvemos fazer um percurso rápido por Valparaíso e tirar algumas fotos desde os mirantes.
Vinhos sendo envelhecidos em barricas de carvalho
Também visitamos a casa, hoje museu, do escritor Pablo Neruda. Já por volta de 16:30 hs resolvemos regressar a Santiago pois o dia estava nublado e portanto as paisagens do porto e do mar em geral estavam cinzas pela falta do sol. A Walquíria também estava com princípio de gripe; suando frio e com febre. Voltamos e nos hospedamos num outro hotel pois como havíamos reservado o nosso até aquele sábado e resolvemos ficar mais um dia, tivemos que ir para outro. No dia seguinte deixaríamos o Chile atravessando novamente das Cordilheiras em direção a Mendoza na Argentina. Confusão na fronteira nos esperava naquele domingo.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Santiago Dia IV - Planos não cumpridos

Santiago desde o Cerro San Cristobal
Durante o churrasco na noite anterior, havia pedido algumas indicações ao Miguel sobre o que poderia mostrar de Santiago em curto período de tempo para a Walquíria. Aliás, cumpre dizer que resolvemos ficar um dia a mais no Chile e irmos visitar, com Miguel e sua família, a cidade de Valparaíso que como ele nos explicou, é imperdível. Portanto sairemos de regresso à Mendoza na Argentina no próximo domingo e não no sábado como planejado originalmente no roteiro. Voltando ao assunto, o Miguel me indicou alguns prédios, monumentos e museus de Santiago a serem visitados. Eu tinha então feito planos para dedicar a sexta-feira de manhã a visitar com a Walquiria aqueles lugares usando o metrô  da cidade. Porém quando despertamos pela manhã ela estava ainda bastante cansada da viagem e eu bastante "castigado" pela festa da noite anterior.
Nossa heroína no Cerro San Cristobal
Assim, após o café da manhã, resolvemos voltar e dormir. E fizemos isso até às 13:00 hs. Levantamos e não sobrou muita coisa para fazer além de ir até o escritório buscar meu computador e finalizar alguns assuntos. Como ao chegar lá não havia ninguém porque estavam almoçando, resolvemos comer no Pizza Nostra ( para mim a terceira vez consecutiva - mas vale a pena pois o restaurante é bom ). Durante o almoço um garçom perguntou se éramos Uruguaios. Perguntei porque ele imaginava que fossemos daquele país e ele pensou porque a Walquiria estava vestindo uma camiseta comprada em Colonia Del Sacramento. Expliquei-lhe que eramos Brasileiros e que estavamos no meio de uma viagem de moto. A exemplo do que nos passou várias vezes durante a aventura, ele se mostrou bastante surpreso de termos saído de tão longe de moto. Almoçamos pizza - excelente pizza. Logo depois fomos ao escritório para finalizar os assuntos que tinha pendente e combinar os detalhes com o Miguel sobre a nossa ida até Valparaíso no dia seguinte. Mais uma vez Miguelito nos surpreendeu: O almoço de sábado seria numa vinha a caminho de Santiago - mais um sacrifício no Chile - têm sido dura a vida por aqui.
Transito parado no túnel - preocupação com o ar respirado
Já por volta das 17:00 resolvemos visitar o Cerro San Cristobal que é um dos morros de Santiago onde se poderia subir de moto e de lá ter uma vista panorâmica de toda a cidade. E assim o fizemos e conseguimos tirar bonitas fotos. O final do dia foi um pouco desagradável pois no caminho de regresso ao hotel pegamos um trânsito bastante pesado e ficamos parados muito tempo dentro de um túnel - o que começou a me preocupar pois ainda que houvesse sistema de exaustão, os gases expelidos dos escapamentos já estavam incomodando bastante e no final eu já sentia um pouco de tontura. Mas tudo acabou bem e chegamos ao hotel. Só que a Walquíria agora tinha sintomas de gripe. Seria problemas a vista?

Santiago - Dia III - Dedicado ao Churrasco e Vinho

Miguel Espinoza em sua "parrilha"
Mais um dia de quase ócio total em Santiago. Fui ao escritório pela manhã para revisar mais e-mails e encaminhar alguns assuntos. Usei taxi uma vez que a moto estava estacionada no prédio da Cristina. Almoçamos no Pizza Nostra, restaurante ao lado do escritório onde já havíamos almoçado no dia anterior. Mas tomei cuidado e somente comi uma salada pois a noite tínha o esperado churrasco na casa do Miguel Espinoza. Saí por volta de 16:00 hs, peguei a moto e fui na loja de vinhos La Vinoteca para comprar dois vinhos de presente ao Miguel que têm sido muito atencioso. Vinho, acredito eu, é o melhor presente a ser dado a ele.
Jocelyn, Eu, Juan Manuel, Silvia, Gabriela e Micaela
Porém o mais difícil e arriscado porque ele é um grande conhecedor da matéria e surprendê-lo não é tarefa simples. Assim comprei um que sabia que ele gostava mais não tinha em casa e outro que pedi indicação na loja. Estacionei a moto no hotel e descansei um pouco até o horário combinado para o "assado". Como as intenções eram as piores possíveis, em termos de quantidade de vinho que seria consumida, combinei com Miguel que iria à sua casa de taxi e de lá, por volta da meia-noite, sairia para pegar a Walquíria no aeroporto uma vez que ela já estava voando de regresso.
Vinhos Top. Houve uma garrafa antes e outra depois dessas 3
E assim foi - cheguei por volta de 20:30 hs. e já tinha vinho aberto e carne pronta na churrasqueira. Logo se juntou a nós a esposa do Miguel, Silvia e seu sobrinho Hugo, suas lindas e muito simpáticas filhas Micaela e Gabriela. Um tempinho mais se juntou a nós o pessoal do escritório: Cristina, Jocelyn e Juan Manuel. Foi uma noite agradabilíssima com excelente carne e muito vinho de excelente qualidade. Pude constatar mais uma vez que Miguel é o cara na arte de conhecer vinhos...a seleção foi fantástica. Tomamos eu, Miguel e Juan Manuel, praticamente sós, 4 garrafas. Durante a "fiesta"  a Walquíria me ligou de Buenos Aires onde estava fazendo escala para comunicar que o vôo atrasaria algum tempo. Providencial atraso: mais tempo para carne e vinho. Transferimos o horário do taxi das 0:15 para as 01:15hs e aproveitamos o tempo para continuarmos a comer, tomar e depois falarmos muito sobre música latino americana ouvindo mambo, tango e musica cubana em geral. No final já estávamos discutindo sobre lunfardo. Para saber mais sobre lunfardo, clique http://pt.wikipedia.org/wiki/Lunfardo . No horário combinado fui buscar Walquiria no aeroporto. O tempo pareceu cronometrado pois foi o tempo quase exato de chegarmos e ela aparecer na porta de saída. Ela de pronto já notou que eu não estava "normal" - mas é importante dizer que eu não estava embriagado a ponto de mal conseguir andar. Um pouco falante além do normal - só isso.
Jocelyn, Cristina e Gabriela
Chegamos no hotel por volta de 02:15 e após ouvir as novidades de casa, não restou muita coisa a fazer senão deitar e dormir. Haviam planos para o dia seguinte. Mas os mesmos não seriam cumpridos.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Santiago Dia II - Um pouco de trabalho e muita diversão

Walquiria embarcada para São Paulo e portanto eu livre e solto em Santiago, decidi, como planejado, ir ao escritório da empresa para colocar alguns assuntos em dia - sou comportado e no primeiro momento solteiro em 15 dias vou trabalhar. Por volta das 10:00 hs saí do hotel com a moto em direção à "oficina" da cia. quando logo próximo ao hotel recebi sinal de uma policial para parar. Estava observado o GPS e não havia me dado conta de que estava numa pista exclusiva para táxis e ônibus. A oficial que me parou, muito bonita aliás, a princípio não havia reparado que eu estava num veículo estrangeiro. Somente quando foi observar a placa é que se deu conta. Me pediu os documentos da moto e minha habilitação. Quando os pegou e viu que era tudo "de fora" disse que precisaria consultar seu superior pois não estava segura de que os documentos apresentados me habilitariam a conduzir no Chile. Enquanto eu aguardava, sua colega muito curiosa me perguntava há quanto tempo eu estava viajando, qual era o destino, se estava só, quando eu havia partido do Brasil enfim várias perguntas. Em princípio pensei que estava me interrogando para confirmar alguma informação ou perceber se eu caía em alguma contradição. Mas depois cheguei a conclusão que era pura curiosidade - mas não queria ser muito amigavel para não perder a autoridade. Uns 5 minutos depois chegou a colega com os documentos em mãos me dizendo que estava tudo ok e que havia me parado apenas para fiscalização de rotina. Isso me tranquilizou porque eu pensei que ia levar multa por estar na faixa errada. Apenas anotaram meus dados num formulário de controle, me perguntaram se a categoria da minha habilitação me permitia conduzir motos no que eu confirmei dizendo inclusive que o sistema no Brasil era o mesmo usado no Chile. Me desejaram boa sorte e boa viagem e me liberaram sem problemas. Chequei no escritório por volta de 10:40 hs e coloquei alguns assuntos em dia. O almoço foi num restaurante de massas imediatamente ao lado do escritório e que é um dos meus preferidos aqui. Comi acompanhado pelo Miguel a Jocelyn e o Argentino em treinamento aqui no Chile, Juan Manuel. Todos excelentes pessoas e muito atenciosos. Haviam planejado com bastante entusiasmo um jantar num local formal de Santiago mas infelizmente tive que dizer-lhes que numa viagem de moto, infelizmente, não há lugar para roupas sociais e sapatos. Portanto eu não teria condições de aceitar aquele convite.
Menu do restaurante Baco - bons vinhos vendidos por taça
Assim combinamos que Jocelyn, Cristina, Juan Manuel, Miguel e sua esposa Silvia e eu, iríamos ao Baco - um restaurante de Santiago que  eu já conhecia e que de especial tem a possibilidade de tomar muitos bons vinhos por taça. Assim o sistema permite  provar entre 3 ou 4 bons vinhos a um preço acessível. Um problema era a moto que estava estacionada próximo ao escritório e como a idéia era tomar vinho, eu não poderia ir com ela ao restaurante e de lá sair pilotando. A solução foi deixá-la estacionada no prédio onde mora Cristina, a duas quadras do escritório e eu a pegaria no dia seguinte. Assim fizemos. A noite foi excelente - pudemos tomar várias "copas" de vinho acompanhada de queijo. Excelente jantar em excelente lugar em excelente cia. Para o dia seguinte um "duro" compromisso: Assado na casa de Miguel. Santiago têm sido pura "fiesta".

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Santiago - Dia I

Uma das lojas de vinhos visitadas
Acordamos tarde pois eu havia dormido mal durante à noite. Por volta das 09:30 descemos para o café da manhã. Depois comecei uma briga com os computadores tentando acessar a internet e desde o quarto não consegui. Desci ao lobby e desde lá, com usuário especial dado pela recepcionista consegui acesso à internet e finalmente ver e responder e-mails, buscar endereços de assitência técnica da Suzuki em Santiago e também tomar nota de endereços de lojas de vinho. Perto das 11:30 conseguimos sair do hotel em busca de assitência. Na primeira tentiva chegamos à uma loja da Suzuki onde depois de certa espera o mecânico nos indicou outra filial da loja pois alí não poderiam nos ajudar com problemas elétricos. Com certa dificuldade de colocar o endereço no GPS um cliente que estava por lá, muito gentilmente, se prontificou a desenhar um mapa de como chegar. Depois ainda consegui achar o endereço no GPS. Rumamos para a outra loja uns 20 minutos de distância. Lá chegando o chefe da oficina nos informou que também não mantinha eletricistas e que nos indicaria o profissional que prestava serviços para eles. Surpresa das surpresas quando nos demos conta de que o endereço indicado era a uma quadra distante da outra loja de onde havíamos saído. Voltamos e lá chegando nos demos conta de que era uma assitência técnica multi-marcas muito boa e fomos bem atendidos. Pedi para além de verificar a pane elétrica, que de pronto já nos disseram que seria coisa simples, trocar o óleo, regular a embreagem e a tensão da corrente. Ao final que a motoca fosse lavada. Prometeram a entrega para as 19:00 horas. Saindo de lá fomos então em busca dos vinhos. De taxi seguimos para o endereço que eu havia anotado do site. Lá chegando não era a loja e sim sede administrativa da empresa. Caminhando um pouco pelas redondezas, que ficava num lugar bem bonito da cidade, achamos uma grande loja de vinhos. Lá compramos algumas garrafas. Como faltavam alguns vinhos que eram importante levar, pedi indicação do endereço da outra loja onde poderíamos enconttrá-los e com o endereço em mãos fomos até o local, novamente de taxi. Mas agora a idéia era que o taxi nos esperasse para rapidamente irmos ao hotel. Compras feitas, bastante vinho na bagagem, fomos ao hotel. Almoçamos já tarde num McDonnalds próximo ao Ibis e depois fomos descansar. O ponto posítivo foi a chamada recebida do nosso amigo Miguel Espinosa que muito gentil se ofereceu para nos levar ao aeroporto às 23:00 pois a Walquiria embarcaria para São Paulo às 02:00 . No final da tarde fui buscar a moto e no horário estabelecido ela estava pronta. Realmente o problema era simples - um curto-circuito na lanterna traseira. Às 23:00 conforme combinado fomos levar a Walquiria ao aeroporto e depois o Miguel, já por volta de 01:00 da manhã, me deixou no hotel. No dia seguinte combinei com ele que iria ao escritório da empresa de moto e lá trabalharia para colocar alguns assuntos em dia.

Santiago do Chile - Cumprimos o objetivo de Ida

No caminho para Santiago, grande quantidade de cavalos
Partimos às 11:00 hs. de Los Angeles ( aproveitamos ao máximo a estadia frente à cachoeira ) com destino final a Santiago. O dia iniciou novamente chuvoso mas quando saímos já fazia sol. No caminho, novamente nos deparamos com água e com bastante intensidade. O maior problema agora era a situação da pane elétrica na moto que nem trocando os fuzíveis conseguíamos sanar pelo menos temporariamente o problema.  O GPS se tornou a fonte de informações sobre quanto havíamos rodado e assim calculávamos quanto tinhámos de combustível. Outro problema foi o almoço: Paramos num posto de serviços de uma rede parecida com Graal ou Frango Assado e decidimos ( na verdade a Walquíria decidiu e eu acompanhei ) comer um sanduiche de carne que na foto apresentada no menu parecia ter alface. Mas a surpresa veio quando o que parecia ser alface na foto era na realidade abacate. Ficou difícil comer um sanduiche de carne quase sem nenhum tempero e com grande quantidade de abacate amassado e rodelas de tomate e queijo. Deixamos praticamente todo o sanduiche, tomamos dois sorvetes e continuamos. Chegamos em Santiago por volta das 17:45 e rapidamente encontramos o Hotel. Sem surpresas porque o Ibis é igual em todas partes do mundo e o daqui é bastante novo. O único senão é a localização que fica próximo à rodoviária da cidade e o trânsito de pessoas é grande. Infelizmente nesse dia, por conta das chuvas, não tiramos muitas fotos. À noite, um pouco cansados da viagem, comemos um omelete no Hotel e fomos descansar pois o dia seguinte seria movimentado uma vez que tínhamos que encontrar assisténcia técnica para a moto, comprarmos vinho ( o mais importante ) e levar a Walquiria para o aeroporto pois embarcaria para São Paulo de madrugada.

Osorno -> Los Ángeles

Hotel em Osorno. Sem luxo mas eficiente e com preço justo
Los Angeles, 414 kilometros de Osorno era caminho para Santiago pois a capital fica muito distante ( 1050 kms )  para fazermos numa corrida só. Levantamos às 08:15 e logo estávamos prontos para o café da manhã e partida. O dia havia amanhecido nublado e logo no momento de equiparmos a moto para sair e chuva começou. Assim a viagem começou com chuva e assim foi boa parte do caminho e em alguns instantes com bastante intensidade. Mas as roupas nos protegeram e não chegamos a nos molhar. Também o frio apareceu e tivemos que instalar as forrações das jaquetas e vestir as segundas peles. Faltando pouco mais de 100 Kms. para chegarmos ao destino o sol apareceu e o clima esquentou. Estávamos ( eu principalmente ) apreensivos com a qualidade do hotel reservado para aquele dia. Mais apreensivos ainda ficamos quando não conseguíamos encontrá-lo de acordo com as indicações da reserva pois era um "resort"  no km 483 da rodovia. Mas no ponto indicado nada víamos além de uma placa de propaganda do próprio resort. Solicitamos informações a um pedestre e ele nos indicou exatamente onde ficava. Quando lá chegamos vimos muita gente aglomerada próximo à portaria mas quando nos abriram a cancela para entrar, vimos que as pessoas estavam em visita às cachoeiras lá existentes. O hotel na primeira vista não pareceu mal. Reserva confirmada, nos indicaram o quarto. E aí veio a surpresa, boa e inesperada surpresa: O quarto, muito amplo, ficava de frente para uma das cachoeiras existentes no resort.
Vista do nosso apartamento em Los Angeles
A Walquiria, amante de cachoeiras e locais onde têm água em geral, ficou maravilhada. Foi muito bom poder dormir escutando o som daquelas aguas caindo. O ponto negativo do dia foi uma pane elétrica inciada na moto onde a todo momento queimava o fuzível que protegia as indicações no painel, pisca-piscas e luz de freios. Essa pane nos acompanharia até Santiago e o problema é que eu não tinha nenhuma informação sobre velocidade, rotações do motor e níveis de combustível e temperatura do motor. Além disso também não tinha pisca-pisca e luz de freio. No início, bastava trocar o fuzível mas depois, mesmo com a troca, imediatamente queimavam. Mas no balanço geral, foi um dia muito positivo pois a chuva nos ajudou a eliminar um pouco do pó acumulado nos dias anteriores e no final, o hotel era tudo que queríamos e precisávamos.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Chegando no Chile

Cordilheira dos Andes
Como programado, no dia 07 de Janeiro sairíamos da Argentina para entrar no Chile atravessando a Cordinheira dos Andes. Para isso usaríamos o ¨paso¨ como são chamados os postos fronteiriços, Cardenal Antonio Samoré. A primeira cidade do Chile que entraríamos e que tínhamos hotel reservado era  Osorno. Osorno é uma província ( estado ) do país e sua capital é a cidade de Osorno. Fica nessa província, não muito longe da cidade e mais próximo ainda da fronteira, o vulcão Puyehue que em Junho último entrou em erupção e causou muitos estragos.
Parte dos problemas trazidos  é a imensa quantidade de cinzas que vemos por todo o caminho. É uma espécie de areia muito parecida com aquelas de praia quando são brancas e fofas. 
É muito claro o impacto que isso têm causado no turismo local. Ainda que muita gente esteja vindo, é possível ver por toda a extensão do caminho pousadas, hoteis e resorts com bastante vaga. Há ainda estabelecimentos abandonados pelos donos cuja falta de manutenção fica clara quando vemos a quantidade de cinzas tomando conta do imóvel. O impressionante é que tudo isso foi causado por um fenomeno natural do qual não se pode responsabilizar ninguém e a única coisa a fazer é resignarse perante a essa força e seguir em frente reconstruindo e convivendo com a nova situação. Coisas que as pessoas de lá estão fazendo bem. O caminho até Osorno não era longo - apenas 240 Kms.
Aspecto da travessia da C. dos Andes
Logo cedo levantamos e  consegui dar uma lavada na moto e tirar o pó acumulado durante a noite. Assim por volta das 09:30 hs já estávamos na estrada e o caminho seria em direção a Villa Angostura que já havíamos passado na vinda. Não demorou muito chegamos na fronteira Argentina onde tivemos que passar pelo processo de migração tendo nosso passaporte carimbado com o selo de saída e depois o processo de documentação do trâmite de saída da moto do país.
Chile-de-Moto - Mas o branco no chão não é neve. É cinza.
O processo todo levou por volta de 40 minutos. Saíndo da fronteira da Argentina, seguimos então para a travessia da cordilheira que foi bastante tranquila. Muitas curvas, subidas e descidas porém o que atrapalhou um pouco foi o vento que em determinados momentos era forte e também junto com ele vinham rajadas de cinzas soltas por todo lado.A temperatura estava baixa mas nada exagerada - na casa dos 10 graus.  O trajeto de travessia durou pouco - por volta de 40 kilometros cumpridos em 30 minutos com paradas para fotos.
Ao fim dos 40 kms. chegamos à fronteira do Chile onde novamente passamos por processo de migração e trâmite de entrada da moto. Imediatamente após o posto fronteiriço a temperatura começou a elevarse. Veio a fome e encontramos um bonito restaurante no alto do lago Puyehue.
Faixa de Pedra-Pome no lago Puyehue
Lá decidimos almoçar para depois seguirmos os 80 kms, restantes.
O interessante desse lago é que quando houve a erupção do vulcão, uma grande quantidade de pedra-pome foi lançada nele e como são leves ficam flutuando na água. Assim se pode notar grandes faixas de pedras boiando na água e ao se aproximar dessas faixas de pedra a impressão que se tem é que o chão está se movendo porque não se vê a água tamanha é a quantidade de pedra existente.
 Chegamos em Osorno por volta das 15:00 hs. O hotel, embora simples, era bonito e limpo com preço adequado. Serviu ao propósito de pernoitarmos. No final da tarde saímos para uma volta na cidade e tomamos sorvete. Assim foi a nossa entrada no Chile. O destino seguinte era Los Ángeles. E uma surpresa estava reservada - sem que soubéssemos.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Dia de não fazer nada em Bariloche

Matando a vontade de por os pés no lago
06 de Janeiro - 10o. dia de viagem. Bem instalados, resolvemos aproveitar e descansar. Assim acordamos tarde, tomamos café da manhã e resolvemos, por volta das 11:00 hs., sair para a Walquiria matar a vontade de por os pés no lago Nahuel e comprar uma camiseta de Bariloche. No caminho decidimos que o almoço seria lanche e que compraríamos os ingredientes num supermercado. Por volta de 14:00 hs já estávamos de volta e daí o restante da tarde foi dedicado a leitura, internet, tv e sono. À noite, já um pouco entediados e com saudade da estrada, arrumamos as malas para no dia seguiente bem cedo sairmos em direção ao Chile. O ponto interessante do dia foi a queda de cinzas provenientes do vulcão. O dia anterior estava claro e muito bonito mas essa sexta-feira havia amanhecida com uma espécie de mormaço. Estava sol e sem nuvens porém não se via claramente o horizonte como no dia anterior. Um exemplo disso é que do nosso quarto, no dia anterior, era possível ver o lago. Porém agora isso já não era possível. Depois à tarde, quando estávamos dormindo, acordamos com a sensação de pó no nariz (não o branco, pó mesmo) e nos demos conta que todo o apartamento estava tomado por um pó de cor cinza e bastante grosso - muito parecido com pó de cimento de construções. Aquele pó era cinza trazida pelo vento desde o vulcão Puyehue localizado não muito longe dali. É impressionante como tudo fica tomado pelo tal pó. Os carros, as ruas, dentro de casa enfim, tudo.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

5 de Janeiro - Dia de Comemoração

Lago em Bariloche - linda paisagem
Hoje cumpri 45 anos e não poderia imaginar em melhor lugar e companhia. Levantamos um pouco tarde, por volta das 08:30 hs. Tomamos o reduzido café da manhã no hotel em que havíamos dormido e decidimos encontrar um novo lugar para ficar pois merecíamos melhores acomodações em Bariloche. Após uma rápida pesquisa na internet, fomos visitar a Aldea Andina - pousada nos arredores de Bariloche. Ao chegarmos lá pedimos para olhar os quartos e gostamos. Quanto ao preço, no local estava muito caro. Porém a recepcionista, Lurdes, muito simpática e solícita, nos sugeriu fazer a reserva pela internet porque lá havia uma promoção e pagaríamos abaixo da metade do preço. Decididos, voltamos ao hotel onde estávamos e compramos as acomodações no Aldea Andina pela internet e nos ¨mudamos¨ para lá. Nos deram um apartamento onde cabem 7 pessoas. Tem dois quartos ( 1 suíte ) cozinha e sala. É muito amplo. Nos instalamos agora com muito conforto e resolvemos ir à cidade para tirar umas fotos e almoçar comida de verdade porque há 3 dias nossas refeições tem sido sanduiche de presunto e queijo.
Um dos quartos no novo apartameto - agora sim.
Almoçamos e tiramos algumas fotos. Como temos cozinha no apartamento, resolvemos passar num supermercado e comprar alguns itens para uma comemoração ao final dia. Frios, vinhos, água, refrigerante e mais alguns itens no baú da moto, voltamos ao apartamento e ficamos por todo o resto de tarde descansando e organizando as coisas. A Walquíria por exemplo lavou toda a roupa e pôde deixá-las na varando para secar. Ao final do dia ela preparou uma pequena refeição para comemorarmos o meu ¨cumpleaños¨. Foi um dia perfeito. Amanhã, mais descanso em Bariloche.

Um dia que prometia ser fácil. Mas...

O mal: deserto O bom: ainda não tem radar
O plano era ¨sencillo¨ - simples em português: Percorrer o caminho entre Neuquén até Bariloche por estradas verdes e bonitas. Levantei cedo e no apart-hotel que ficamos tinha até um espaço onde eu pude lavar a moto. Tudo caminhava bem até que ao fazer as malas me dei conta de que havia perdido em algum lugar pelo caminho um dos comunicadores de reserva e isso já me deixou bastante contrariado. Mas seguindo os planos, tomamos café da manhã e nos preparamos para sair. Como em princípio não teríamos que rodar mais do que 400 e poucos kilometros, não nos preocupamos muito em deixar o hotel cedo. Por volta das 10:00 hs. estávamos prontos e de saída quando a primeira má notícia chegou: O Sr. Alfredo, dono do hotel, se aproximou e nos perguntou aonde iríamos. - Bariloche, contestei. Ele explicou então que muitos não estavam indo a Bariloche porque no caminho, de 400 kilometros, não havia combustível. Assim se nossa moto não tivesse autonomia suficiente, não seria possível alcançarmos aquela cidade. Perguntei a ele se havia algum caminho alternativo já com o mapa na mão. Ele nos disse que se fossemos por San Martín de Los Andes não iríamos ter problemas pois no caminho haveria várias cidades e nelas haveria combustível. Apenas recomendou que a cada cidade que víamos completássemos o tanque. Disse ainda que por San Martín passaríamos pelo caminho dos 7 lagos que era muito bonito. Eu ainda o questionei dizendo que no mapa aparecia, naquele trajeto, uma parte da estrada que não era asfaltada.
Parada inesperada e necessária
Ele terminou dizendo que a estrada era curta e que também vinha sendo bem mantida - logo isso não seria problema para nós. Rota refeita, saímos do hotel ainda com a esperança de termos um caminho prazeiroso e como rumávamos para as montanhas, numa temperatura agradável. Não demorou muito e percebemos que a coisa não era tão fácil. De novo estávamos rodando por paisagens desérticas em estradas com retas intermináveis e a temperatura em elevação. De fato o combustível naquele trajeto não foi problema. Mas outra vez nos vimos na situação do dia anterior ou seja, muito calor e deserto o tempo todo. Para ajudar, errei o caminho quando na cidade de Zapala peguei uma outra estrada no sentido oposto ao da cidade de San Martin de Los Andes.  Depois de mais de 50 Kms. rodados e desconfiando do motivo pelo qual não apareciam placas indicando a distância até San Martín, parei num posto e perguntei a direção para a cidade. O frentista nos indicou o caminho reverso de onde vínhamos e na cidade de Zapala era só pegar a estrada correta. Voltamos então todo o caminho percorrido desde Zapala e de lá, após abastecimento, seguimos agora sim, pelo caminho correto até San Martin. Até aquele momento havíamos percorrido por volta de 260 kms. desde a saída do hotel. Até San Martin ainda seriam outros 180.
Cansada. Mas guerreira até o fim.
E até Bariloche, mais 208 Kms. Mas o pior ainda estava por vir. No caminho entre Zapala e San Martin, de novo deserto. Somado ao calor, agora eu sentia também um sono acachapante. Tenho certeza de que em alguns trechos foi o anjo da guarda ( meu ou da Walquíria?? ) que pilotou a moto porque eu simplesmente, por alguns segundos, apagava. E o que desesperava era que não havía um lugar onde parar e cochilar.
Isso não é areia. São cinzas do vulcão puyehue
 Até que chegamos a um posto abandonado no meio do nada em que pude estacionar a moto na sombra e sentar no chão para uma cochilada de uns 20 minutos. Isso fez toda a diferença pois dali em frente, a viagem foi outra. Ainda que continuássemos por deserto, a paisagem  começava a mudar um pouco pois vales imensos começaram a aparecer. Por volta das 17:00 hs. e 500 Kms. rodados, chegamos em Junin de Los Andes onde comemos um sanduiche de presunto e queijo com suco e muita água. Seguimos então para San Martin a 40 Kms de distância. Ao chegar a San Martin, cidade muito bonita e onde realmente começaria o caminho dos 7 lagos, nos demos conta de que ainda faltavam 223 Kms. para Bariloche. Tínhamos a nosso favor o fato de que nessa região tem anoitecido por volta das 21:30 - logo tínhamos ainda bastante tempo de luz do dia. Começamos então o trecho final para Bariloche.
 O caminho é realmente lindo com lagos aparecendo no meio das montanhas e estávamos já quase nos sentindo recompensados pelo caminho percorrido até aquelas belas paisagens quando entramos na estrada sem asfalto. Houve momento do percurso que a estrada se tornava muito estreita e chegávamos a pensar que era o final dela. Mas ela seguia. Duvidei em alguns momentos  se aquilo iria dar mesmo na famosa Bariloche. Mas seguimos. A moto tremia toda, barulho de  pedra (cascalho) batendo embaixo, cuidado estremo no uso dos freios porque se as rodas travassem iríamos para o chão pois a moto escorregava nas pedras. O pó existente é indescritível. Nossas roupas, pretas, ficaram quase brancas de tanta poeira assim como a moto.. Os piores momentos eram quando outros veículos passavam por nós levantando imensa quantidade de pó.

Recompensa pelo duro dia. Linda paisagem.
Paramos um momento para descansar e víamos, durante todo o percurso, uma grande quantidade de areia nas margens da estrada. Mas quando nos fixamos, vimos que não era areia e sim cinzas que caíram e ainda caen diariamente provenientes do vulcão Puyehue que está no Chile bem próximo à essa região. Vimos muitas casas e até hoteis e pousadas abandonadas por conta da quantidade de cinzas. Mas ainda sim, nesta estrada víamos lindas paisagens com seus lagos circundados pelas montanhas. Foram por volta de 50 kms. nesta estrada. Ao final dela, estávamos cansados e muito sujos de poeira - eu a Walquíria e a moto.
Já no asfalto as coisas mudaram para melhor novamente: Lindas paisagens e passamos pela lindíssima cidade de Villa Angostura. É muito bonita com suas casas no estilo europeu e toda margeada por um grande lago. Foi nesse ponto que começou o por do sol ( 21:00 hs ) e as cores do céu misturadas com as da cidade e do lago formavam uma paisagem sem igual. No céu também víamos formações bastantes raras de nuvens e cheguei a cogitar a idéia de que não seriam nuvens e sim fumaça expelida pelo vulcão pois tinham formas bastante definidas como redondas e em espirais. Essas nuvens ou fumaça, ajudou ainda mais na beleza da paisagem formada. Esse ¨gran finale¨  valeu por todos os percalços que havíamos passado.
As cores fazem a paisagem parecer uma pintura
 Mas ainda tinha mais... Chegamos a Bariloche por volta de 22:15 e 718 kms rodados bastante cansados e fomos para o hotel. Novamente o hotel reservado pela internet se mostrou inadequado. Era uma pousada porém usada por mochileiros jóvens. O quarto com apenas uma toalha tinha os armários quebrados. Era de aspecto bem negativo. A garagem estava totalmente tomada e arranjaram uma outra sem cobertura a 50 metros do hotel na casa de uma família.. Tomamos banho e fomos dormir. Mas eu já havia resolvido que no dia seguinte iria buscar um outro local para ficarmos em Bariloche. Foi um dia duro mas que a natureza com suas belas paisagens nos recompensou por cada dificuldade passada. Ao final tanto eu quanto a Walquíria tivemos um mesmo pensamento: Foram muito poucos os previlegiados que tiveram a oportunidade e a coragem de ver o que vimos nesse caminho. E nos sentimos plenamente recompensados.

Durante a jornada Bariloche sempre parecia estar longe

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Santa Rosa -> Neuquén - Travessia do Deserto

O dia iniciou cedo pois às 07:30 hs. estávamos de pé e não muito depois, prontos para o café da manhã que naquele hotel de beira de estrada se resumiu a um café com leite e uma media luna salada e outra dulce para cada um. Traduzindo, fora o café com leite, media luna é um croiassant tradicional aqui no país feitos em forma de meia-lua e que podem ser salada ( salgada ) ou dulce ( doce ).
Deserto a mais de 40 Graus.
Café da manhã tomado, moto equipada, saímos para uma volta na cidade de Santa Rosa. Nos demos conta que ficamos hospedados bem no início da cidade pois o centro estava distante. Fomos em busca de um local para sacarmos pesos Argentinos para continuar a viagem. Feito isso, seguimos em direção a Neuquén. No início, até a pequena cidade de General Acha, tudo estava muito agradável. Paisagens incríveis, alguns animais e passáros e a temperatura muito agradável. Mas tudo isso iria mudar quando começamos a cruzar um deserto que existe no caminho. A tamperatura subiu muito durante o dia e foi um grande problema estarmos vestidos com as pesadas jaquetas e calças de motociclistas. Ao todo, foram mais de 300 Kms. de paisagem desértica onde nada se via senão uma vegetação semi-seca num solo arenoso. A temperatura, seguramente, superou os 40 graus. No último trecho já estávamos passando mal e suando muito quando finalmente conseguimos um posto para parar. Tomamos numa só golada uma garrafa de 500 ml de água cada um, tamanho era o desespero com a desidratração. Tínhamos no baú da moto uma garrafa de reserva mas a água estava muito quente, impossível de beber. Seguimos para o último trecho até Neuquén sempre com muito calor e no transito urbano da cidade, até a chegada ao hotel, estávamos novamente desesperados com o calor. Mas ao final tudo acabou bem e uma vez re-hidratados e no hotel, surpreendentemente bom ( mas não luxuoso ), estamos prontos para o dia seguinte, que será curto pois até Bariloche serão pouco mais de 400 Kms - pouco se considerados os dias anteriores.

2 de Janeiro - 6o. Dia - Parte II - Buenos Aires -> Santa Rosa


Estranho fenômeno em La Pampa
A missão do dia era irmos para a capital da provincia de La Pampa,  Santa Rosa que fica 600 Kms distante de Buenos Aires e é nosso caminho em direção a Bariloche. A viagem começou quando saímos do hotel e nos despedimos do Eduardo e Priscila às 13:30 hs. Não foi difícil acharmos a estrada para Santa Rosa pois eu havia atualizado o GPS no dia anterior. Fazia um carlor terrível e por todo o caminho sofremos muito com a alta temperatura. Como um relógio, a cada 100 Kms eu parava para descanso por pelo menos 10 minutos. Em alguns trechos do caminho, quando parávamos para abastecer, encontramos postos que não tinha combustível. Isso trouxe certa preocupação e sempre que a moto baixava um quarto de tanque ou no máximo meio tanque, eu procurava abastecer. Houve caso em que tivemos que sair da estrada e adentrar na cidade em busca de nafta - que é como a gasolina é conhecida aqui. Assim nos demos conta que há uma certa precariedade na distribuição de combustível no país, pelo menos nos finais de semana. A estratégia têm sido manter o tanque cheio o tempo todo. Por volta de uns 150 Kms. antes de Santa Rosa, presenciamos um fato bastante curioso pois ainda que o vento não era exageramente forte, nos pareceu que estávamos muito próximo a um tornado pois víamos muitos objetos (leves) suspensos no ar e num trecho da estrada, a mesma ficou comletamente tomada por poeira tornando a visibilidade quase zero. Foi um momento bastante tenso mas que logo se normalizou. Mas daquele ponto em diante os fortes ventos nos acompanharam quase até Santa Rosa.. Chegamos ao nosso destino por volta das 22:00 hs. e não foi muito difícil acharmos um local para pernoitarmos. O hotel, bem simples e de beira de estrada, serviu bem ao propósito de descansar os ossos. Mas não tinha luxo algum. Rodamos, desde as 13:30 hs., exatamente 634.7 Kms.  O dia seguinte nos reservaria as maiores dificuldades vividas até o momento. Neuquén era o destino.